Síndrome de Irlen  


"A visão é uma habilidade cerebral e é considerada um dos estímulos de maior importância para a vida do indivíduo, sendo os olhos os responsáveis por captar estímulos luminosos que serão processados e transformados em estímulos neurológicos, nas diversas subáreas cerebrais especializadas - cor, contraste, movimento, tridimensionalidade" 

(Reis Guimarães, M.R.,2013).


A Síndrome de Irlen (S.I.) é uma condição clínica caracterizada pela disfunção no processamento das informações visuais. O déficit de processamento ocorre devido à sensibilidade a uma determinada fração do espectro luminoso, provocando distorções no processamento da imagem.

"A Síndrome de Irlen é uma disfunção visuoperceptual relacionada à exposição a certos tipos de iluminação, intensidade, comprimentos de onda e contraste e frequências espaciais, que induzem dificuldades no processamento de informações, o que requer maior exigência atencional e visual, como é o caso da leitura. As dificuldades decorrem, principalmente, em razão de déficits no processamento das informações visuais pela Via Magnocelular" (Reis Guimarães, 2013).   Há um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz que conseqüentemente gera alterações no córtex visual, principalmente em momentos de maior demanda de atenção visual. Tal sensibilidade à luz provoca no indivíduo portador da S.I. uma hiperatividade cerebral, necessária para poder compensar de alguma forma as perdas durante o processamento. Os portadores da S.I. investem grande esforço em atividades de leitura que exigem adaptações visuais constantes. As adaptações ocasionam fadiga extrema, cefaleia, dor nos olhos, desconforto, dentre outros sintomas, que surgem após bem pouco tempo de exposição à atividade visual, cerca de 10 a 15 minutos do início das atividades.

No contexto escolar, a S.I. compromete a manutenção de atenção, memorização e compreensão do texto, além de reduzir a tolerância e tempo de exposição à atividade de leitura (Reis Guimarães,2013). Acarreta dessa forma, uma interferência no ler para aprender, não tendo relação com déficit cognitivo (inteligência).

Além da sensibilidade à luz e dificuldade de leitura os portadores de Síndrome de Irlen também podem apresentar: dificuldades na resolução viso-espacial que ocasionam alterações relacionadas à percepção de espaço, distância e tamanho; dificuldades na percepção de profundidade, que gera uma inabilidade para avaliar tridimensionalmente o objeto ou espaço; restrição da visão dinâmica periférica, restrição de alcance focal, diminuindo o campo visual; dificuldades na manutenção do foco onde as informações visuais vão ficando cada vez menos nítidas à medida que aumenta o estresse visual acarretando prejuízo na velocidade de leitura, memorização, concentração, causando cefaléia de esforço visual; Podem apresentar ainda sobrecarga sensorial, e instabilidade postural.

Na visão binocular a imagem é captada pelos olhos individualmente e transmitida ao cérebro, que deve ser capaz de medir essas diferenças e fundi-las, resultando em uma visão estéreo. A visão binocular dá a sensação espacial das imagens, com diferenças proporcionais à profundidade relativa aos objetos no campo visual, e ainda que vejamos duas imagens de um mesmo objeto (uma por meio de cada olho) percebemos apenas uma. Essa sensação espacial é chamada estereopsia, ela é imprescindível para a orientação quanto à distância dos objetos e para se movimentar. Os portadores de S.I apresentam baixa estereopsia o que interfere diretamente nas suas atividades do dia a dia sejam elas acadêmicas, profissionais, sociais, ou recreativas, como ler, dirigir e estacionar um carro, praticar esportes com bola, ou simplesmente ao se movimentar e caminhar, alguns portadores de S.I. queixam-se de serem rotulados de "estabanados" pois esbarram ou derrubam objetos e tropeçam ou caem constantemente.

Todas as alterações descritas acima podem se manisfestar em graus de intensidade variáveis, e mesmo que o paciente tenha exame oftalmológico normal, com ou sem correção. 

No exame de acuidade visual (exame oftalmológico tradicional), é avaliado somente a via parvocelular (visão central e estática). A SI é uma disfunção da via magnocelular, (da visão dinâmica periférica), e por afetar a micromovimentação e o sincronismo ocular causa distorções. Os sintomas da SI estão relacionados à neurovisão e justificam a dificuldade de leitura e aprendizagem, podendo também apresentar comorbidades. 

A S.I. tem caráter genético, podendo acometer um dos pais em até 84% dos casos ambos os pais de 11% a 27%; nenhum dos genitores de 15% a 20%, e pelo menos um dos irmãos em 76% dos casos.

Conseqüências para a vida do portador de SI: 
Perda de produtividade acadêmica, laboral, atencional
Perda de memória
Incapacidade de integração sensorial global
Dificuldade com leitura
Baixo rendimento escolar
Baixa auto estima
Déficit de coordenação motora
Irritabilidade
Exclusão e fobia social

Associação desses fatores leva a uma sensível redução da qualidade de vida.


Diagnóstico  

Infelizmente, o acesso ao disgnóstico e tratamento no Brasil ainda são um desafio. 

A SI pode vir acompanhada de outras disfunções como no processamento auditivo, alteração da visão binocular, dislexia, TDAH, autismo. Nesses casos é importante que haja acompanhamento multidisciplinar com Oftalmologista especialista em Neurovisão, Neurologista, Fonoaudiólogo, Fisioterapeuta.

Quando há ocorrência de dislexia e/ou déficit de atenção, a S.I. torna-se proporcionalmente mais freqüente, chegando a incidir em até 97% dos casos. Assim, a coexistência de sintomas reforça a importância de um diagnóstico complementar e diferencial pela metodologia Irlen (Guimarães, R.Q. et all).

O rastreio é feito por Screeners, profissionais da saúde e educação treinados e habilitados pela Fundação Hospital de Olhos para aplicar testes para identificação de portadores de S.I., orientação e encaminhamento para tratamento.  

É indispensável que seja feito um rastreio, para que o diagnóstico e tratamento sejam feitos de forma acertiva. Infelizmente a falta de informação sobre a SI gera lentidão e falhas no diagnóstico, além de um desgaste grande para os pacientes pois o acometimento não é só físico, deve ser lavado em consideração também lado emocional. 

Os exames específicos para o diagnóstico da S.I. estão disponíveis apenas no Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães (MG).


Tratamento

Por estar relacionada à hipersensibilidade a determinados comprimentos de onda do espectro luminoso o tratamento é feito através do uso de Overlays (lâminas coloridas que são colocadas em cima do texto na hora da leitura) ou de um óculos especial, onde são aplicados filtros espectrais com bloqueios específicos que tem o objetivo de amenizar os sintomas e dificuldades funcionais. 

O uso das overlays é de baixo custo mas o paciente tem benefício apenas na hora de ler. Quanto a confecção dos filtros espectrais, infelizmente não possuímos essa tecnologia no Brasil, por isso o óculos tem que ser encaminhados para os Estados Unidos da América para que seja feita a colocação do filtro, o que torna o tratamento ainda mais dispendioso. 

O uso de medicação é indispensável em determinadas condições, o uso dos filtros não invalida o uso de medicação para tratar as comorbidades, mas para isso, é necessário que o diagnóstico seja preciso. 


Sites oficiais para consulta sobre S.I:

https://fundacaoholhos.com.br/

https://www.holhos.com.br/sindrome-de-irlen/

Consulta de profissionais screeners: https://fundacaoholhos.com.br/profissionais/



 Email: vmonteiro.fisioterapia@gmail.com                     WhatsApp:  (62) 98172-8722 ou (62) 4102-1460
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